• Paulo Saraiva

PLÁSTICA NÃO É MÁGICA

Atualizado: 24 de Abr de 2019









Experiência, mãos firmes e arte. Assim podem ser definidos os pilares que fazem um cirurgião plástico.


Idealizado pela maioria das pessoas, ele é visto como um mago capaz de transformar feições velhas em expressões joviais, retirar excessos e corrigir contornos flácidos ou disformes.


Há, entretanto, um item imprevisível no trabalho desse dedicado "restaurador": a reação individual do paciente.


Apesar dos excelentes resultados conquistados nas operações, mesmo assim, ainda pode haver quem saia frustrado da mesa de cirurgia. E isso ocorre, geralmente, pelas expectativas exageradas da pessoa, que espera milagres onde só há mãos habilidosas e bons métodos cirúrgicos.


Para obter resultados satisfatórios, o paciente deve assumir um compromisso com o médico. Não operar se a pessoa não muda seus hábitos errados de vida nem toma cuidados mínimos.


Entre as medidas mais importantes para preservar os efeitos benéficos de uma cirurgia ou retardar os efeitos do tempo sobre o corpo, além da garantia do paciente de seguir uma atividade física constante, procurar ter um sono regular, manter o equilíbrio emocional, além de não fumar, evitar o álcool e o sol em excesso.


As frustrações ocorrem, também, porque cada pessoa reage de maneira peculiar às cirurgias. O processo de cicatrização tem variações individuais. Não há como garantir a qualidade da cicatriz que o paciente irá apresentar, apesar de todos os cuidados no pós operatório.


Mesmo que se tenha formado uma cicatriz imperceptível em outras operações, poderá ter um comportamento diferente na próxima intervenção e aparecer o indesejável quelóide.


Por outro lado, a falta de elasticidade pode atrapalhara adaptação à nova conformação da região que foi modelada. Há, ainda, outras variações constitucionais que podem interferir na qualidade dos resultados: características raciais da pele, espessura do tecido gorduroso abaixo da pele, tipo de desenvolvimento muscular e ósseo e fragilidade dos vasos sanguíneos.


Cada operação é sempre um desafio para o cirurgião. Não há duas cirurgias iguais porque não há duas pessoas idênticas. Mas, se existe frustração com algum resultado,a grande maioria das cirurgias traz enorme satisfação para os pacientes.


A cirurgia estética não proporciona a beleza absoluta nem a conquista da eterna juventude, mas ajuda a melhorar a qualidade de vida da pessoa, que passa a se sentir mais saudável e confiante. A plástica não é, de modo algum, um luxo desnecessário. Já se foi a época em que as cirurgias estéticas eram consideradas supérfluas, com a única função de satisfazer a vaidade pessoal. Atualmente, elas estão diretamente relacionadas à saúde, em seu sentido mais amplo: bem estar completo.


Os resultados das cirurgias plásticas podem ser muito bons, mas não se deve exigir do cirurgião que, num simples toque de mágica, transforme tudo. Ele tem em suas mãos um bisturi, e não uma vara de condão.

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