• Paulo Saraiva

DISMORFOFOBIA

Atualizado: 29 de Mai de 2019

A Batalha Contra o Espelho!





Ter vaidade e fazer uma plástica ou outra, eventualmente, é normal para qualquer pessoa.

Entretanto, exceder nesse procedimento e nunca estar completamente feliz com a aparência, pode ser o sinal de algum transtorno emocional.


A Dismorfofobia é uma anormalidade característica em pacientes que abusam das cirurgias e atinge por volta de 15% das pessoas que fizeram ou pensam em fazer alguma intervenção estética. Essas pessoas tem uma preocupação exagerada com algum mínimo “defeito” que elas pensam ter, mesmo imperceptível aos olhos dos outros.


Todo mundo tem momentos de baixa autoestima, mas, no caso da Dismorfofobia, a pessoa se vê “deformada” no espelho. Se numa anorexia uma pessoa se vê gorda, no transtorno obsessivo ela se enxerga com uma imagem distorcida e isso incomoda demais.


Há quem passe horas se olhando no espelho, ou mesmo faça tantas cirurgias que acabam se deformando. Esse tipo de comportamento costuma vir acompanhado de algum processo depressivo.


Apesar de ser um transtorno descrito há muito tempo, a Dismorfofobia é pouco conhecida entre os dermatologistas e cirurgiões plásticos, que a confundem com um simples excesso de vaidade, operando o paciente e fazendo o que ele determina.


A maioria dos pacientes acometidos não tem consciência da dimensão de suas exigências, chegando com uma série de queixas, ficando sempre insatisfeitos com os resultados das cirurgias, por melhores que elas tenham ficado.


Cabe aos próprios cirurgiões e dermatologistas colocar limites nos procedimentos e, talvez, encaminhar esses pacientes para um acompanhamento psicoterapêutico. O problema se agrava quando, não satisfeitos com a negação de um cirurgião, procuram outro profissional que, mais desavisado, habilita-se a satisfazer seus desejos “estéticos”, aguçando ainda mais essa vaidade patológica.


A vaidade tem um limite. Ultrapassando-o, as pessoas começam a entrar no “transtorno da imagem corporal”, descaracterizando-as. Uma cirurgia plástica bem feita é aquela, ao contrário do que muitos pacientes pensam e querem, em que as pessoas ao redor não notam mudanças muito visíveis nos resultados. A partir do momento em que se estigmatiza o que foi feito, perde-se o valor da qualidade do trabalho.


O cirurgião consciente e precavido não pode obedecer aos caprichos de seus pacientes, fazendo o que eles “exigem” e sim devem chegar a um acordo sobre os limites que o corpo oferece.


Vaidade natural é saudável. Vaidade compulsiva não.

7 visualizações0 comentário

Posts recentes

Ver tudo