• Paulo Saraiva

CIRURGIA PLÁSTICA NA ADOLESCÊNCIA - SIM OU NÃO?





A adolescência é uma fase da vida humana caracterizada por inúmeras transformações que se processam tanto no aspecto orgânico como na esfera psicossocial. A grande maioria dos adolescentes passa por experiências evolutivas, que incluem:

- Aceitação de seu corpo e seu correspondente gênero masculino ou feminino;

- Estabelecimento de novas amizades com pessoas da mesma idade e ambos os sexos;

- Inserção e aceitação no seu grupo de jovens.


É o caminho que liga a infância à idade adulta, quando diversas mudanças acontecem, do ponto de vista psicológico, físico e social.


O crescimento ganha um novo ritmo, acelerado, e o corpo perde gradativamente as características infantis, adquirindo formas e dimensões mais maduras.


Meninas adquirem suas novas curvas com o surgimento dos seios, alargamento dos quadris, assim como pelo depósito de gordura em determinadas regiões, como coxas, abdome, glúteos e quadris. Nos meninos o mais marcante é o desenvolvimento da musculatura em região peitoral, braços e pernas.


Em meio a tantas mudanças, com muita frequência o adolescente perde a sua referência de corpo e passa a não se reconhecer no espelho. Surgem, então, três vias possíveis:

- compreensão e aceitação das mudanças do corpo

- não aceitação e vergonha por esse corpo que não é reconhecido

- não aceitação e busca ávida por corpos imaginários.


Pesquisas mostram que o número de adolescentes que buscam cirurgias plásticas tem aumentado muito nos últimos anos, gerando muitas dúvidas em pais, médicos e psicólogos.


Os adolescentes podem se submeter à cirurgia plástica?

Sim, os adolescentes podem se submeter à cirurgia plástica, mas diversos aspectos devem ser previamente avaliados, principalmente no que se refere à sua maturidade física e emocional


Uma das características dessa fase é o imediatismo. Para os jovens o importante é o aqui e o agora e a sensação é de que não se tem tempo a perder. Tudo o que querem são soluções mágicas e rápidas para os seus problemas.Suas motivações devem ser avaliadas cuidadosamente, assim como devem ser discutidos todos os prós e os contras.


Alguns adolescentes realmente têm indicação de cirurgia plástica. Características que fujam ao padrão da sociedade e que estejam provocando transtornos do comportamento devem ser cuidadosamente estudados e, caso se conclua que beneficiarão o paciente no que diz respeito à sua autoestima e desenvolvimento da personalidade, indica-se a correção.


Jovens com alterações físicas consequentes de características do corpo, como dores nas costas por seios muito grandes, ou alterações faciais, como orelhas de abano e problemas respiratórios por alterações nasais, podem e devem ser submetidos a cirurgias corretivas.


Uma vez que o início da puberdade não tem uma data única para acontecer, mas pode ocorrer dentro de alguns anos, fica difícil estabelecer uma idade específica para cada procedimento cirúrgico. A decisão tem que ser baseada de forma individual.


As cirurgias de orelhas são as únicas que podem ser realizadas na infância, a partir dos 7 anos, quando já tiveram seu desenvolvimento completo.


Cirurgias faciais, como as de nariz, queixo, devem aguardar o crescimento ósseo completo, no final da adolescência, caso contrário pode-se correr o risco de alteração dos resultados caso ainda ocorra modificação do rosto após o procedimento.


Cirurgia dos seios, tanto a redução quanto a colocação de próteses, devem esperar o fim do desenvolvimento mamário, que costuma acontecer também no final da adolescência.


Aos adolescentes do sexo masculino com Ginecomastia ( aumento da glândula mamária ), deve ser explicado que na maioria dos casos a regressão é espontânea em cerca de dois anos, não sendo indicada a remoção cirúrgica nessa fase. Essa só é realizada diante de repercussões psicológicas importantes ou da não regressão total após esse período.


Com relação à Lipoaspiração, além da necessidade da maturidade física, é muito importante avaliar a maturidade do adolescente, uma vez que é um procedimento doloroso e que exige muitos cuidados pós operatórios. Deve ficar muito claro que a cirurgia não tem finalidade para o emagrecimento, mas para apenas redução de gorduras localizadas. Pacientes com sobrepeso ou obesidade têm que ser orientados a perder peso antes de qualquer decisão. Submeter jovens em fase de crescimento a esse procedimento apresenta risco de alteração do resultado final a longo prazo.


A tomada de decisão para a realização de uma cirurgia plástica na adolescência tem que obrigatoriamente passar pelos pais ou responsáveis pelo jovem, pela avaliação de um cirurgião plástico e pela avaliação de sua maturidade física e emocional. É preciso entender qual é a sua motivação e o que espera como resultado final do ponto de vista físico, social e emocional.


Ao adolescente tem que ficar claro que a cirurgia plástica não fará mágica na sua vida social ou no como é visto por seus colegas - que isso depende de uma infinidade de fatores e não apenas do seu visual - e que a sua intenção de se submeter a ela deve ser vontade própria e não por pressão da sociedade.



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